"viva ao espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar"
De volta à realidade inicio esta semana com um mergulho na arte e no fantástico, na surpresa e no prazer. Subo para cima, desço para baixo; procuro Nikias Skapinakis e encontro uma Maria Helena que é Vieira da Silva. Volto para casa, embalo-me com uma revista, que além de ser rica, cheira bem. Isto tudo sem gastar muito dinheiro. Quero melhor? Quero sempre melhor; mas isto já foi muito bom. É verdade que passei um fim-de-semana fantástico, mas ter marcado a visita à exposição Quartos Imaginários de Nikias S. foi uma coisa muito bem feita.
Durante, quase precisamente, 48 horas, saltitei entre a Ponte Vasco da Gama, Vila Nova de Milfontes, Porto Côvo, Vila Nova de Sto. André, Tróia, rio Sado e Setúbal. Vivi num mundo que não sabia que existia na terra dos mortais; vivi num quase-óasis egípcio que só se deixava se desmascarar pelos salpicos de civilização ocidental, chapéus-de-sol e biquinis coloridos.
Mas voltei. Voltei à pobre e comum realidade. Só que desta vez não foi assim tão pobre nem tão comum. Já tinha combinado com a minha querida prima Diana irmos ver a exposição de Nikias no museu Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva. Assim esta minha segunda-feira foi nova e prazerosa e não mais um "grande frete de começar mais uma semana de escola".
Perguntámos aqui, perguntámos ali e lá fomos ter ao tal museu que fica escondido (ou abrigado?) num bonito jardim das Amoreiras, que fica precisamente na Praça das Amoreiras (praça que quase julguei não existir depois de tantos "não, não sei onde fica").
Gostei da exposição. Havia poucas obras, mas só por algumas (as que mais gostei) valeu a pena. Nikias Skapinakis nasceu em Lisboa (1931) apesar da sua ascendência e nome grego. Expõe desde 1948 até hoje e foi prestigiado por vários museus e fundações, recebeu o prémio da crítica A.I.C.A.-S.E.C. (1990), muitas das suas obras estão relacionadas com outras artes (nomeadamente literatura) e é o autor de um dos panéis do café A Brasileira do Chiado. Esta exposição apresenta um conjunto de obras cuja a inspiração surgiu das obras de outros artistas, que provavelmenet admirava.
Acabámos por ver também o resto do museu que enchia as suas salas de Vieira e Arpad. Felizmente, na minha humilde opinião, mais de Vieira do que Arpad. Maria Helena Vieira da Silva foi uma grande agradável surpresa, porque as reproduções (em livros e revistas) nunca conseguiram igualar a magia que é entrar num dos seus quadros. Outra surpresa foi descobrir que Vieira da Silva era uma mulher e não um homem como sempre julguei. Para não falar da surpresa que foi descobrir as linhas da sua agitada vida numa prancheta de madeira. Está visto: uma menina cheia de surpresas! Ou então sou eu que sou muito ignorante. E Arpad, sobre ele não tenho muito a dizer. Talvez, apenas, que é um pouco confuso, tem um sobre nome muito díficil de pronunciar aos donos dos cafés do Rato e que teve muita sorte em encontrar uma artista com Vieira da Silva.
Visitem então o museu Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, para ver as obras de ambos ou então os "Quartos Imaginários" de Nikias Skapinakis. Se quiserem saber mais sobre o museu e a exposição consultem http://www.fasvs.pt/ e http://www.lisboacultural.pt/cgi-bin/lxcultural/E0003336.html?area=&tabela=exposicoes&genero=&datas=&dia=&mes=&ano=&numero_resultados=10. Para saberem mais sobre Nikias Skapinakis visitem http://www.fsgaleria.net4b.pt/sitept/exposicao/nikias.html.

[ A primeira imagem é "O Quarto de Amadeo em Manhufe" de Nikias Skapinakis (2004), e a segunda é de Vieira da Silva, mas, lamento, não sei o nome da obra - infelizmente não consegui uma imagem das obras de que mais gostei da artista portuguesa, mas ainda assim acho que esta é uma boa escolha.]
Fim.
Tânia
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